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NOTÍVAGO
O estrépito da noite acordou meus ouvidos. Era a volúpia da noite lambendo a cidade e seus pés de barro. Talvez fosse exato resmungar e dormir de novo abraçado à névoa dessa sombra.
Mas grandioso era o campo de luzes irradiadas de teu corpo penetrando-me. Meu toque trêmulo despedaça o mapa da cama: acordo-te.
Impossível pensar a hora a direção do vento, o signo predominante do zodíaco.
Irisadas, tuas cores banhavam o coágulo do meu afeto. Eras simples e terna como um cachorro sem dentes.
O ar sabia a fumo e mostarda. Ingênuo, te perseguia na motocicleta de meus sonhos.
Inutilmente tento reconstruir a pulsação do instante feito de barro e chamas cavalos que cruzam os céus gládios de anjos anunciadores e pivetes insones sob as marquises.
Nenhuma astúcia desvenda o sentimento guardado a sete chaves no cofre de que talvez saibas o segredo.
envio: carlos machado, poesia.net
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